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POLÍTICA
TJ aceita denúncia e filho de governador vira réu por mandar roubar propina de Polaco
O processo deverá voltar para 4ª Vara Criminal de Campo Grande, onde Rodrigo Souza e Silva enfrentará o processo por roubo majorado e associação criminosa.
Redação Ivinhema - MS
Postada em 17/09/2019 ás 17h47
TJ aceita denúncia e filho de governador vira réu por mandar roubar propina de Polaco

A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul aceitou, por unanimidade, o recurso do Ministério Público Estadual contar o advogado Rodrigo Souza e Silva. Com a decisão, tomada na tarde de hoje (17), o filho do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) vira réu no processo em que é acusado de ser o mandante do roubo da propina destinada ao corretor de gado José Ricargo Guitti Guímaro, o Polaco.


Conforme a denúncia protocolada por três promotores, ele contratou um grupo para recuperar malote de R$ 270 mil entregue ao comerciante Ademir José Catafesta, de Aquidauana. O roubo ocorreu às 15h30 no dia 27 de novembro de 2017, quando cinco homens renderam o comerciante na BR-262 e roubaram o dinheiro junto com o veículo.


Como a decisão da turma foi unânime, o filho do tucano não poderá ingressar com embargos infringentes, um dos recursos permitidos no caso de placar por maioria, para que o recurso seja julgado novamente pela 2ª Câmara Criminal. Este recurso exigiria o voto de cinco desembargadores.


O processo deverá voltar para 4ª Vara Criminal de Campo Grande, onde Rodrigo Souza e Silva enfrentará o processo por roubo majorado e associação criminosa. O Ministério Público Estadual incluiu o agravante do roubo ter contado com reféns.


Inicialmente, a juíza May Melke Amaral Penteado Sirvagna, da 4ª Vara Criminal, tinha rejeitado a denúncia contra o filho do governador do Estado, feita pelos promotores Marcos Alex Vera de Oliveira, Adriano Lobo Viana de Resende e Humberto Lapa Ferri.


O MPE recorreu ao Tribunal de Justiça. O relator do caso, o desembargador José Ale Ahmad Netto, acatou o recurso e votou pelo recebimento da denúncia. Ele foi acompanhado pelo desembargador Jonas Hass Silva Júnior.


No entanto, o desfecho foi adiado na semana passada porque o juiz Waldir Marques, convocado para substituir o vice-presidente do TJ, desembargador Carlos Eduardo Contar, pediu vistas para analisar melhor o recurso. Nesta terça-feira, ele devolveu os autos e votou pelo provimento do recurso.


O recebimento da denúncia pela turma do TJMS reforça os indícios contra Rodrigo, que chegou a ser preso pelo mesmo motivo na Operação Vostok, deflagrada com aval do ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça, em 12 de setembro do ano passado.


A história foi publicada pelo O Jacaré desde o início, conforme documentos anexados ao processo no site do Tribunal de Justiça.


No retorno de Campo Grande para Aquidauana, o comerciante Ademir José Catafesta foi assaltado na BR-262, na altura da Vila Jamic. Ele foi roubado às 15h30 do dia 27 de novembro de 2017. Ao registrar o boletim de ocorrência, na hora do almoço do dia seguinte, ele contou que teve R$ 9 mil e o veículo roubados.


Nove dias depois do ocorrido, o Batalhão de Choque prendeu o lavador de carros Fábio Augusto de Andrade Monteiro, na época, com 23 anos. Ele confessou ter participado do assalto, que teria sido planejado pelo mestre de obras, Luiz Carlos Vareiro.


Os policiais militares recuperaram o veículo e prenderam os acusados de integrar a quadrilha: o cantor Jozue Rodrigues das Neves, o representante autônomo Vinícius dos Santos Kreff e Jefferson Braga de Souza.


Na ocasião, Vareiro exigiu a presença do promotor Marcos Alex e contou que o roubo tinha sido encomendado por Rodrigo, filho do governador. Na ocasião, ele falou que o único objetivo era recuperar a propina de R$ 270 mil destinada a comprar o silêncio de Polaco.


Seis pessoas já foram denunciados à Justiça e viraram réus pelo roubo da propina de Polaco. Rodrigo Souza e Silva será o 7º réu no caso.


Na campanha eleitoral, ao ser questionado, o governador rechaçou a denúncia contra o filho. Ele disse que Rodrigo era vítima de armação feita por pessoas ligadas ao PCC, a facção criminosa surgida nos presídios de São Paulo.


Durante o julgamento do recurso, no dia 10 deste mês, o advogado Gustavo Passarelli da Silva ressaltou que não existem provas de que Rodrigo foi o mandante do assalto.

FONTE: O Jacaré
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