
No mês em que se comemora o Dia Nacional da Doação de Órgãos, Minas Gerais celebra números expressivos, que refletem o crescimento sustentado dos transplantes. Em 2024, o estado contribuiu de forma significativa para o recorde histórico nacional, quando o Brasil superou a marca de 30 mil transplantes realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) — um aumento de 18% em relação a 2022. Somente no ano passado, foram feitos 2,4 mil procedimentos em território mineiro, tornando-o o segundo estado do país em captação e realização de transplantes, atrás apenas de São Paulo.
Para 2025, a expectativa é ainda maior: o MG Transplantes, coordenado pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), projeta novo recorde, com a previsão de alcançar mais de 2 mil procedimentos, impulsionados pelo fortalecimento na capacitação das equipes hospitalares e melhorias na logística.
A importância do diálogo familiarPara o Dr. Guilherme Beller, médico da área de Cirurgia Geral e Gastroenterologia do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, o principal desafio para aumentar as doações ainda reside na comunicação familiar. "Conversar sobre o desejo de ser doador com a família é essencial. Na prática, são os familiares que autorizam a doação, e, quando eles sabem exatamente a vontade do ente querido, a decisão é tomada de forma mais tranquila e sem dúvidas", explica o profissional.
O médico ressalta que muitos receios ainda afastam as pessoas da decisão de doar. "Alguns acreditam que a doação pode prejudicar o corpo, atrasar o funeral ou interferir nos cuidados médicos, o que não é verdade. É importante reforçar que de forma alguma os órgãos são comercializados. Todo o processo de captação e transplante é feito com seriedade, ética e transparência, seguindo regras rigorosas do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).", esclarece.
Transformação por meio da solidariedadeDr. Beller enfatiza, ainda, o impacto transformador da doação de órgãos. "A doação é um verdadeiro ato de solidariedade que salva vidas, devolve a esperança e permite que pessoas que sofrem com doenças graves possam ter uma nova chance de viver. Para o paciente, é a chance de recomeçar: voltar a viver com saúde, retomar sonhos, estar presente nos momentos importantes", destaca.
Para as famílias doadoras, ele explica que o processo também é positivo: "Muitas famílias relatam um sentimento de conforto e orgulho ao saber que o ente querido salvou vidas. É um legado que permanece vivo".
Desafios e perspectivasDados do Ministério da Saúde mostram que os principais transplantes realizados em Minas Gerais em 2024 foram de córnea (998), rim (777), medula óssea (385) e fígado (193). Atualmente, cerca de 8,5 mil pacientes aguardam por transplante no Estado, sendo 4,4 mil para córnea, 3,9 mil para rim e 98 para fígado.
Apesar dos números positivos, dados nacionais mostram que ainda há espaço para crescimento. Em 2024, 55% das 4,9 mil famílias entrevistadas autorizaram a doação de órgãos de seus entes no Brasil. Cerca de 45% das famílias ainda recusam a doação, número considerado elevado, mas que o novo Programa Nacional de Qualidade em Doação para Transplantes (PRODOT) pretende reduzir por meio da capacitação de equipes para melhor acolher os familiares.
Uma conversa necessária"Não deixe essa conversa para depois. Declare sua vontade, informe sua família e ajude a desmistificar o tema. Ser doador é um gesto de amor e solidariedade que pode transformar vidas de maneira concreta", aconselha Dr. Beller. "Para a medicina, é uma ferramenta essencial: cada doador representa múltiplas oportunidades de tratamento e estudo, contribuindo para avanços na saúde. Para a sociedade, é um gesto que fortalece a empatia e a consciência coletiva de cuidado com o próximo", destaca.
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