
Ao assumir a liderança de um bloco parlamentar composto por 12 deputados, exatamente metade das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Coronel David (PL) altera o eixo de gravidade do Parlamento Sul-mato-grossense e impõe novo arranjo às disputas internas por espaço e influência. Mais do que um movimento numérico, trata-se de uma operação estratégica com repercussões institucionais imediatas.
A formalização do chamado “blocão” consolida uma maioria articulada entre o deputado Coronel David e o presidente da Casa, deputado Gerson Claro (PP), que vai reorganizar o tabuleiro das comissões permanentes, especialmente da CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação), instância por onde necessariamente passam todos os projetos antes de seguirem ao plenário. Na prática, quem ocupa a CCJR exerce poder decisivo sobre o ritmo, a admissibilidade e a constitucionalidade das proposições legislativas.
Segundo Coronel David, a iniciativa teve como objetivo assegurar “segurança regimental” e impedir que o PT reivindicasse espaço na comissão considerada a mais estratégica da Casa. O argumento repousa na matemática do regimento interno: apenas bancadas com no mínimo quatro deputados ou blocos com ao menos oito integrantes têm direito automático à representação nas comissões. Ao reunir 12 parlamentares sob uma única liderança, o grupo fortalece sua posição e reduz a margem de manobra de legendas isoladas.
Com a nova configuração, a Assembleia passa a contar com dois blocos governista: um com 12 e outro com oito deputados, redesenhando a correlação de forças no Legislativo estadual. Ainda que ambos orbitam na base de sustentação do Executivo, a divisão interna revela uma dinâmica típica do presidencialismo de coalizão brasileiro, no qual maiorias são construídas não apenas por afinidade ideológica, mas por cálculo político e ocupação de espaços institucionais.
Nos bastidores, a movimentação foi interpretada como resposta preventiva a articulações que buscavam ampliar a presença da oposição em colegiados estratégicos. “A disputa não se resume a cadeiras; envolve a capacidade de pautar debates, filtrar propostas e dar dinâmica ao ritmo legislativo”, explica Coronel David.
A liderança de um bloco que reúne metade da Casa projeta Coronel David a uma posição de relevo no Parlamento estadual, ampliando seu poder de articulação e sua centralidade nas negociações internas. Ao mesmo tempo, impõe responsabilidade proporcional que o deputado já sabe lidar: blocos robustos exigem coesão permanente, sobretudo quando compostos por parlamentares de diferentes partidos e agendas.
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