
A Câmara Municipal de Dourados realizou na última quarta-feira (25) a audiência pública “Que cultura nós queremos para Dourados?”, proposta e organizada pelo gabinete do vereador Franklin Schmalz (PT), presidente da Comissão de Cultura. O encontro reuniu artistas, produtores culturais, representantes de instituições, movimentos sociais, universidades, povos indígenas, comunidades tradicionais, imigrantes e gestores públicos.
A audiência contou com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura, do Fórum Municipal de Cultura e do Conselho Municipal de Política Cultural, fortalecendo o caráter coletivo do debate. A mesa foi composta pelo vereadores Franklin e Elias Ishy (PT), pela deputada estadual Gleice Jane (PT), pela secretária municipal de Cultura, Gisela Mello, pelo presidente do Conselho Municipal de Política Cultural, Danino Rosset, e pela secretária- executiva do Fórum Municipal de Cultura, Márcia Uilliana.
O principal objetivo do encontro foi ampliar a escuta pública e consolidar contribuições para o Plano Municipal de Cultura, instrumento estratégico com vigência de dez anos, fundamental para orientar metas, eixos e diretrizes das políticas culturais do município e garantir acesso a recursos federais como a Política Nacional Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo.
Identidade Plural
Durante a abertura, Franklin destacou que a construção do Plano precisa refletir a identidade plural de Dourados, formada por povos indígenas, comunidades negras, imigrantes, artistas independentes, coletivos e instituições culturais consolidadas. Defendeu que o documento represente tanto a realidade quanto os sonhos da cidade e reafirmou a importância de assegurar 1% do orçamento municipal para a Cultura como política permanente de valorização dos trabalhadores da arte.
A deputada estadual Gleice Jane ressaltou que investir em cultura é investir na diversidade, na economia criativa e na identidade do município. O vereador Elias Ishy enfatizou que o Plano é um instrumento essencial para estruturar políticas públicas duradouras e ampliar recursos para o setor. A secretária municipal de Cultura, Gisela Mello, afirmou que o Plano dará direção às ações da pasta pelos próximos dez anos e reforçou a expectativa de sua consolidação nos próximos meses.
A exposição técnica do Plano foi apresentada por Anaia Beatriz Cappi, servidora da Secretaria Municipal de Cultura, que detalhou os princípios, metas e eixos estruturantes do documento. Entre as metas propostas estão a inserção da educação patrimonial em 100% das escolas públicas, a ampliação de eventos culturais, a implantação de pontos de cultura por região administrativa e programas permanentes de capacitação artística. A proposta de destinar 1% do orçamento municipal para a Cultura integra o debate como estratégia de fortalecimento do setor.
Apresentações
Como parte da programação, foi exibido o documentário “Que cultura nós queremos para Dourados?”, produzido pelo mandato do vereador Franklin, reunindo entrevistas com diferentes vozes da cultura local e contribuindo para contextualizar o debate.
Na sequência, foi aberto o momento da “Tribuna da Cultura”, espaço destinado às manifestações do público presente. Representantes da comunidade africana, povos indígenas, associações e espaços culturais, setor audiovisual, literatura, universidades, bibliotecas comunitárias, coletivos culturais, movimento negro, carnaval popular, academias de letras e instituições educacionais apresentaram demandas e propostas. Entre os principais pontos levantados estiveram a necessidade de financiamento permanente, valorização profissional dos artistas, ampliação do acesso à cultura nas escolas, fortalecimento dos espaços culturais, inclusão das culturas indígena, negra e imigrante, democratização dos editais e consolidação de um calendário cultural anual.
A programação também contou com apresentações culturais, exposições literárias e artísticas, mostra de artesanato indígena, grafismo corporal, performance de pintura ao vivo e participação de grupos culturais da cidade, evidenciando na prática a diversidade que o Plano busca reconhecer e fortalecer.
Ao final, o vereador Franklin reafirmou o compromisso da Comissão de Cultura em sistematizar as contribuições apresentadas durante a audiência e incorporá-las ao processo de finalização do Plano Municipal de Cultura, reforçando que a participação popular é condição essencial para que o documento represente, de fato, a pluralidade e as demandas
reais da cultura douradense.
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