
A recuperação ambiental das margens do Rio Mimoso, em Bonito, é resultado de um trabalho técnico e institucional desenvolvido por meio do Projeto Águas de Bonito, iniciativa que reúne órgãos públicos, organizações da sociedade civil e produtores rurais em ações voltadas à proteção dos recursos hídricos da região.
O projeto conta com a participação da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), por meio do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), em parceria com o Ministério Público Estadual, o Instituto das Águas da Serra da Bodoquena (IASB), a Prefeitura de Bonito, o Sindicato Rural e proprietários de áreas localizadas na bacia do Rio Mimoso.
A iniciativa surgiu a partir de um desafio comum enfrentado pelos órgãos ambientais: a grande extensão territorial e a diversidade de áreas naturais, que tornam complexa a fiscalização permanente de todos os ambientes sensíveis. Diante desse cenário, foi construída uma parceria institucional para ampliar a capacidade de diagnóstico e recuperação ambiental em propriedades localizadas na bacia do Rio Mimoso.
O Projeto Águas de Bonito teve início em 2020, com a realização de vistorias técnicas e levantamentos ambientais nas propriedades rurais, etapa conduzida de forma conjunta pelo Imasul, IASB e Ministério Público. O objetivo foi identificar as principais áreas que apresentavam algum nível de degradação ambiental e propor soluções específicas para cada situação encontrada.
Durante o diagnóstico, as equipes técnicas analisaram as condições ambientais de cada propriedade e definiram as medidas mais adequadas para recuperação das áreas. Em alguns casos, apenas o isolamento das áreas de preservação permanente foi suficiente para permitir a regeneração natural da vegetação. Em outras situações, foi necessário reposicionar cercas para afastar atividades produtivas das margens do rio, além da implantação de plantio de mudas nativas para recomposição da vegetação ciliar.
Esse processo também contou com diálogo direto com os proprietários rurais, que aceitaram abrir suas áreas para as vistorias e contribuir com as ações de recuperação ambiental. A participação voluntária dos produtores foi considerada essencial para o avanço das medidas de conservação na região.


O gestor regional do Imasul em Bonito, Marcelo Brasil, explica que a atuação do órgão ambiental esteve concentrada principalmente na fase técnica inicial do projeto.
“O Imasul participou diretamente da etapa de diagnóstico ambiental, com vistorias nas propriedades e identificação das medidas necessárias para recuperar as áreas degradadas. A partir desse levantamento técnico foi possível definir quais soluções seriam aplicadas em cada local, sempre com foco na proteção das margens do rio e na recuperação da vegetação ciliar”, destacou.
Com base nas informações coletadas durante essa fase inicial, foram elaboradas as propostas de recuperação ambiental que orientam as ações atualmente em execução no projeto.
A etapa de implantação das medidas de recuperação, que inclui o plantio de mudas nativas, é executada pelo Instituto das Águas da Serra da Bodoquena (IASB), organização não governamental que atua na conservação dos recursos naturais da região.
A fiscalização ambiental do Imasul também acompanha o processo, verificando o cumprimento das medidas ambientais e garantindo que as intervenções ocorram de acordo com as orientações técnicas definidas no projeto.
Para a fiscal ambiental do Imasul, Luciana Valle de Loro, a recomposição da vegetação nas margens dos rios é fundamental para manter o equilíbrio ecológico.
“A recuperação das matas ciliares é uma das medidas mais eficazes para proteger os rios. A vegetação nas margens ajuda a evitar processos de erosão, contribui para a qualidade da água e garante abrigo para diversas espécies da fauna e da flora”, explicou.

Além da recuperação ambiental, o projeto também tem papel importante na conscientização sobre a preservação dos recursos naturais, especialmente em uma região reconhecida nacionalmente pela biodiversidade e pelo turismo de natureza.
Liliane Lacerda, executiva do IASB, destaca que a parceria entre as instituições tem sido essencial para os resultados alcançados pelo Projeto Águas de Bonito.
“A cooperação entre o Imasul e o IASB mostra como a união entre poder público e sociedade civil fortalece a conservação ambiental. Enquanto o Imasul garante o suporte técnico e a segurança das ações, o IASB atua na restauração ambiental e na mobilização dos produtores. Esse trabalho conjunto tem avançado na proteção de nascentes, recuperação de áreas degradadas e melhoria da qualidade da água, com ações de longo prazo como restauração florestal, conservação do solo e educação ambiental”, resumiu.
O reconhecimento do impacto positivo da iniciativa veio também em nível nacional. Em 2024, o Projeto Águas de Bonito foi vencedor na categoria “Elementos Naturais” da 22ª edição do Prêmio CREIA de Meio Ambiente – Troféu Siriema, conhecido como o “Oscar da Sustentabilidade”, promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (CREA-GO). A premiação destaca projetos que se sobressaem na conservação ambiental e no uso sustentável dos recursos naturais.
O diretor-presidente do Imasul, André Borges, ressalta sobre a ação e demonstra como a atuação integrada fortalece a gestão ambiental no Estado. “O Projeto mostra que a união entre instituições públicas, organizações ambientais e produtores rurais é fundamental para ampliar a proteção dos nossos recursos hídricos.

O Imasul contribui com o suporte técnico e a fiscalização, garantindo que as ações ocorram com base em critérios ambientais sólidos e com foco na preservação de longo prazo”, destacou.
O prêmio reforça a relevância do trabalho desenvolvido em Bonito e evidencia como a integração entre instituições públicas, organizações ambientais e produtores rurais pode gerar resultados concretos na proteção dos rios, na recuperação de áreas degradadas e na preservação dos ecossistemas naturais do Mato Grosso do Sul.
Gustavo Escobar, Comunicação Imasul
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