
Venho hoje escrever não como deputado, mas como ser humano, com o coração apertado e a alma tomada pela indignação. A morte da brasileira Juliana Marins, no Monte Rinjani, na Indonésia, não é apenas uma tragédia distante. É uma ferida aberta. É uma dor que atravessa oceanos e chega até nós, deixando um país inteiro sem palavras.
Foram quatro dias. Quatro longos dias em que a esperança se misturava à agonia. Quatro dias de buscas em meio ao terreno íngreme, sob chuva, vento, neblina. E, mesmo assim, não conseguiram levar o mínimo: água, alimento, um agasalho. Como é possível aceitar isso em pleno século XXI, com drones, satélites, inteligência artificial, redes globais de comunicação?
Não quero — e não posso — acreditar que isso se resume a descaso. Mas também não posso me calar diante das falhas gritantes. O mais absurdo, que me revolta profundamente, é saber que o próprio pai da Juliana quase chegou antes dos socorristas. Porque, enquanto ele se movia com amor, coragem e desespero, do outro lado o que havia eram apenas telefonemas, burocracia, promessas vazias. E nenhuma ação concreta. Nenhuma.
O que aconteceu com Juliana não é só um acidente. É uma omissão que custou uma vida. Uma omissão que não pode ser esquecida, nem varrida para debaixo do tapete. Não podemos aceitar que, em tempos de tanta evolução tecnológica, um ser humano morra esperando por socorro que nunca chegou.
Esta tragédia precisa acender um alerta mundial sobre segurança, protocolos e responsabilidade em trilhas de aventura e turismo ecológico. E mais: precisa nos lembrar, a cada dia, de que uma vida vale mais do que qualquer burocracia.
À família de Juliana, que viveu a angústia mais cruel que se pode imaginar, deixo minha mais profunda solidariedade. Que essa dor, que hoje parece insuportável, encontre algum consolo. E que a história de Juliana não se apague. Que ela seja, sim, um marco. Para que nenhuma vida mais se perca do jeito que ela se perdeu.
É o mínimo que podemos exigir. É o mínimo que podemos fazer. Em nome de Juliana. Em nome da dignidade humana.
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