
As profissões do futuro já chegaram e jovens de Campo Grande, Três Lagoas, Corumbá e Dourados estão aprendendo na escola pública o que o mercado está precisando. O mundo do trabalho mudou mais nos últimos cinco anos do que nas cinco décadas anteriores e ainda não parou.
Inteligência Artificial, Ciência de Dados, Computação Gráfica, Segurança Cibernética e Desenvolvimento de Software são profissões com maior crescimento no mercado global, atualmente. E a pergunta que toda família deveria estar fazendo não é: "Meu filho vai conseguir emprego?" Ou ainda. “Meu filho está sendo preparado para o trabalho que o mundo vai precisar?"
O Fórum Econômico Mundial estima que 65% das crianças que estão na escola hoje vão trabalhar em profissões que ainda não existem. Ou que já existem e crescem em ritmo acelerado em áreas que sustentam profissões ligadas à tecnologia, dados, automação e criação digital.
O que o mercado está pedindo agora
A transformação digital não é uma tendência, é uma realidade que já reorganizou setores inteiros da economia. Bancos, hospitais, indústrias, fazendas e pequenos comércios estão incorporando ferramentas digitais no dia a dia. E quem opera, desenvolve e analisa essas ferramentas são profissionais com formação técnica em tecnologia.
Ciência de Dados é uma das áreas com maior déficit de profissionais no Brasil. Empresas de todos os setores precisam de pessoas que saibam transformar grandes volumes de informação em decisões estratégicas.






Inteligência Artificial avança em velocidade sem precedentes e quem entende como ela funciona tem vantagem em qualquer mercado. Computação Gráfica movimenta bilhões em publicidade, entretenimento, games e design.
Setores que só crescem. A boa notícia é que essas competências não exigem diploma universitário para começar. Exigem formação técnica de qualidade e quanto mais cedo, melhor.
Jovens que saíram na frente
Em Campo Grande, Lorenzo de Souza Rocha, 16 anos, transformou sua paixão por animes e quadrinhos em formação profissional no Curso Técnico em Computação Gráfica da Escola Estadual Vespasiano Martins. "O curso representa a realização de um sonho e a prova de que consigo ser bom naquilo que me faz feliz", conta o estudante.
Em Três Lagoas, Rafael Mendes Sozza tem 17 anos e já desenvolveu sistemas reais que estão sendo apresentados para empresas. Quer se tornar engenheiro de dados e atuar para o mercado internacional. Começou no Curso Técnico em Ciência de Dados da Escola Estadual Professor João Magiano Pinto, ainda no Ensino Médio.
Yasmim Namie percorreu esse caminho antes dele. Egressa da mesma escola, hoje cursa Sistemas de Informação na UFMS. "Tenha a curiosidade de conhecer como todo recurso tecnológico funciona. Criar algo inovador não é inalcançável, é possível", deixa como mensagem para outros jovens.




Em Corumbá, às margens do Pantanal, Deric Mendes Vieira, 16 anos, é o primeiro da família a seguir na área de tecnologia. No Curso Técnico em Informática para Internet da Escola Estadual Dom Bosco, Deric programa, participa de Clube de Robótica e já aplica fora da escola o que aprende dentro dela. "Todo mundo começa do zero. Se a gente se esforçar, a tecnologia vai abrir muitas portas", diz.
Em Dourados, Henrique Gonçalves de Souza, 17 anos, e Isabelly Sanches Gama, 14, cursam Inteligência Artificial na Escola Estadual Rita Angelina Barbosa Silveira. Isabelly é a primeira da família a entrar nesse universo. "Aprendi a utilizar planilhas, desenvolvi jogos e tive contato com ferramentas que ampliaram minha visão sobre a tecnologia", conta a estudante.
O que essas histórias têm em comum
Nenhum desses jovens veio de família com tradição em tecnologia. Nenhum pagou curso particular. Todos chegaram ao mercado do futuro pelo mesmo caminho, a escola pública de Mato Grosso do Sul. Hoje, 95% das escolas estaduais de MS têm laboratórios de robótica. São 352 unidades com conectividade e Sala de Tecnologia Educacional. Os cursos técnicos em tecnologia chegam também aos municípios que nunca tiveram acesso a esse tipo de formação na Educação Profissional.
Mas o que as famílias podem fazer agora? Descobrir habilidades e talentos de seu filho é o primeiro passo. Depois, conversar com a escola sobre os cursos técnicos disponíveis, incentivar a participação em feiras e olimpíadas científicas e abrir espaço em casa para que a curiosidade tecnológica seja valorizada. O mercado não vai esperar.

Gilberto Junior, Comunicação SED
Foto de capa: Cid Nogueira/SED
Internas: Reprodução
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