
Pensando no bem-estar dos pacientes durante as longas sessões de hemodiálise, a equipe de enfermagem da Nefrologia do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) desenvolveu uma solução simples, mas extremamente eficaz: uma mesinha de apoio para celular e outros objetos pessoais.
As sessões de hemodiálise, que duram em média quatro horas, exigem que os pacientes permaneçam quase imóveis, principalmente por conta da fístula — acesso vascular utilizado no tratamento. Nessa condição, manter o conforto e o entretenimento se torna um desafio. Muitos pacientes, principalmente os mais jovens, usam o celular para assistir vídeos ou se comunicar com familiares, mas não conseguiam posicionar o aparelho de forma prática e segura.
Foi aí que surgiu a ideia da mesinha de apoio, desenvolvida de forma artesanal com materiais simples e acessíveis. O suporte permite que os pacientes deixem seus celulares ou outros objetos ao alcance da vista, sem precisar segurá-los nas mãos, reduzindo o desconforto. A ideia foi da técnica de enfermagem Izabel Cristina Vargas Ajala.

“Os pacientes não podem se mexer muito durante a sessão e só podem usar um dos braços, por conta da fístula. Eu via essa dificuldade deles. Então, pensei na mesa. Fizemos com materiais que tínhamos aqui mesmo. Sinto alegria em poder ajudar de alguma forma”, disse a técnica de enfermagem.
Assistente administrativo do setor, Alfredo Silva viu a ideia nascer e foi um dos entusiastas. “A atitude da equipe vai além do simples atendimento clínico: ela reconhece as necessidades emocionais dos pacientes, contribuindo significativamente para a redução da ansiedade e o alívio do desconforto inerente ao processo de tratamento. Ao integrar tecnologia e humanização, a mesinha representa um exemplo concreto de como pequenas atitudes podem promover um ambiente mais acolhedor e confortável, fazendo com que o tratamento de hemodiálise deixe de ser apenas um desafio físico para se tornar uma experiência mais tolerável e até mesmo educativa”, destacou.
A iniciativa tem recebido elogios dos pacientes, que agora conseguem assistir filmes e séries durante o tratamento, o que ajuda a passar o tempo de forma mais leve e acolhedora. “Melhorou muito. Antes tinha que dormir. Na hora em que vi ela trazendo, nem acreditei, nem vejo a hora passar durante a sessão”, afirmou o paciente Diego Fernando dos Anjos, 32 anos.
Para o diretor-geral do hospital, Paulo Limberger, a solução proposta pela equipe é uma inovação, fruto da empatia com o próximo.
“Na verdade, quando falamos de inovação, às vezes imaginamos grandes tecnologias ou soluções super complexas. Mas inovação, de verdade, é isso: é ter a sensibilidade de olhar para o outro, enxergar a realidade dele, se colocar no lugar dele. E aí perceber que existe uma dor, um sofrimento, uma dificuldade real ali e conseguir propor algo simples, mas extremamente eficaz. Isso é incrível, pois é quando a simplicidade resolve o que parecia complicado. Eu achei essa solução fantástica exatamente por isso — porque ela nasce da empatia, da escuta e do desejo genuíno de melhorar a vida do paciente. E isso, pra mim, é o verdadeiro espírito da inovação no serviço público”, afirma.
Patrícia Belarmino, Comunicação Funsau/HRMS
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